quarta-feira, 10 de junho de 2015

nem sabes.

Podia dizer-te para esquecermos , que foi só uma fase má. Mas não, não quero voltar para trás e andar para a frente, não quero o borrão perante o mau. Não quero apagar, quero aprender. Quero o ponto final. E quero o novo parágrafo, aquele que começa novamente em maiúsculas, com todo o tempo, com todo o espaço, com todas as linhas. Com as tuas memórias e com as minhas, não te vou pedir que esqueças. Lembra-te , lembra-te comigo mas lembra-te do que ficou por dizer quando demasiado foi dito, de todo o amor que se transformou em raiva e de todos os demónios que fizeram as boas lembranças virar fantasmas. Lembras-te? Lembras-te de quando o sorriso de um contagiava o outro? de quando as palavras se trocaram por beijos? de quando o frio deu lugar aos arrepios da tua mão sobre o meu corpo? Tenho saudades. Mas não te quero por sentir a tua falta. Quero-te por todos os parágrafos que os teus olhos trocaram com os meus e deixá-mos por escrever, por todas as vezes em que os meus lábios pedem os teus, por todas as vezes que o meu coração anseia pelo teu. Quero-te amar e tu nem sabes.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

silêncio.

Nenhum silêncio se faz tão longo que permita esquecer. Começou numa noite, em que o silêncio permitiu que os gestos falassem. Em que te tirei um pertence ao mesmo tempo que te roubava um sorriso, sei que na altura não dei o valor suficiente. Só quando tornaste a cativar a minha atenção, com um ar embeiçado e me pediste que te lembrasse e eu te iludi fingindo que depois daquela expressão que me cativou, precisaria que escrevesses o teu nome para que me lembrasse dele. Embalei-me nessa noite e na seguinte, sorrindo para aquele pedacinho de tecido, até que vieste reclamar a tua gentileza. Não quis admitir logo mas já andava apaixonada pela tua voz, aquela que agora tinha um corpo. Já há muito que andavas a ser porto de abrigo ao meu coração frágil. Que sem intenção foste remendando e que depois ainda fraco preencheste pouco e pouco. Da mesma forma, com a tua voz, no teu jeito subtil de falar e me fazer sentir segura e embalada. Soube que irias ter tudo de mim, desde o momento em que me tentaste impedir de falar contigo, a primeira madrugada de muitas. Em que ouvi o teu timbre mudar, aquele que tem de tão doce quanto de sério. O que me rouba todos os sentidos e acorda em mim todas sensações. E senti em ti o meu Porto Sentido, senti-me a gaiata abandonada , na capa fechada , a moer os sentimentos, pela primeira vez. E ai deste-me força para dar o passo mesmo que tu não o desses. Entregaste-me o laço, sabendo que estarias a cruzar também as nossas pontas soltas. Trocámos sorrisos, olhares e mesmo com poucas palavras, soubeste que te queria tanto quanto tu a mim. Beijaste-me a testa e envolveste-me num abraço. (...)

sábado, 19 de abril de 2014

verdade.

Talvez não seja coragem que falta mas sim o fôlego que se perde pelo caminho, em todos os caminhos de todas as vezes. E tu iludes-me, iludes porque eu deixo. Sempre deixei não é verdade? Que as frases bonitas, apagassem todos os erros com que magoas. Deixo que o teu sorriso me conquiste , uma e outra vez. Que o teu abraço me aqueça, uma e outra vez. E que eu seja tua, uma e outra vez. Doí, sim doí a ideia de te perder no entanto lembrar-te é cada dia mais difícil. Cansada de pausas, de silêncios, de monotonia. Preciso de ritmo, de afinação, de som, da minha melodia alegre. Há dias em que gostava de ter dado um fim à história. Há dias em que gostava que não tivesses passado de um acorde, um acorde numa pauta de memórias. Hoje, dou inicio , não à nossa mas à tua pauta. À tua pauta de memórias. "a verdade dói, a mentira mata mas a dúvida tortura." Bob Marley" 20Abril014

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Fuga.

Sinto falta desses reflexos de fuga, desses que me levavam para longe de tudo. Tenho saudades de ser livre, de não ver os pensamentos censurados por um destino, sim que eu escolhi, já traçado. Já não encontro o balançar, a inexactidão já não ocupa mais espaço no deambular dos meus dia, só eu deambulo , me arrasto e prorrogo pela vida, na esperança que algo surja, que o crepúsculo faça soar de maneira diferente os gritos pelo mundo e este dê uma volta. Uma volta que me leve para longe de tudo, para longe do fim do sonho, para longe de mim. Em vão ou não, esta é uma pausa marcada.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Sarilho.

O tempo vai passando, as notas tornaram-se tão soltas nesta pauta, já não existe a sintonia de antes. É tudo um pequeno sarilho, fracas linhas de conflitos mas que quando juntas se enrolam e derrubam as bases, formam-se grandes silêncios e é mais uma pausa, uma pausa na pauta, um arranhão nas memórias , um golpe naquilo que parecia tão forte. Este vazio que através de um buraco negro, vai consumindo aquilo que resta da luz. Chega desse medo, dessa carência, existe uma força por ai. Vem como se nunca te tivesses apagado, vem por favor , vem neste minuto ainda pequena estrela.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Folha.

Vivemos daquilo que se crê ser correcto, somos por tantas vezes a folha que cambaleia por um trilho desconhecido e tantas outras a que fica presa num ralo de estrada. Olhamos para o tempo, como direcção para o caminho a percorrer, sem pensar que tal como nós sobre a estrada, o tempo voa. Quando algo de inesperado acontece e acordamos , soltamo-nos do tronco que nos manteve seguros até então e resolvemos dançar com o vento, deixar que nos sopre para longe , longe daquilo que nos prendeu por tempo indefinido. Na simplicidade do fresco orvalho, rompesse um novo casúlo, nasce uma nova história, é uma nova aventura, largar o eu, para agarrar o sou e esquecer o serei. Sorriso, um abraço prolongado, existe vida.

sábado, 22 de outubro de 2011

ondas.

Quando se pára para olhar o mar , não é objectivo principal compreender porque ele aje assim, apreciamos a sua liberdade , a forma como se move sem limites. Na vida não podemos arrastar-nos por onde queremos , pois a cada movimento temos vários grãos de areia connonsco, o nosso percurso deixa sempre uma marca por onde passa e consoante a intensidade da pegada esse é o tempo que ela vai permanecer no nosso trajecto. No ar sustêm-se pequenas gotas de maresia , que arrefecem a pele que anteriormente à descoberta agora procura o conforto à luz ou em outro corpo, são os pensamentos que ganharam asas e que sobrevoam a espuma , procuram uma resposta ou se contentam apenas com a beleza do momento. O sol sume, a luz desaparece , mas algo está quente, algo permanece. Não existem intrigas, nem questões, tudo é forte e seguro, a existência não é questionada. A história pode esperar para ser contada.