quarta-feira, 1 de abril de 2015
silêncio.
Nenhum silêncio se faz tão longo que permita esquecer.
Começou numa noite, em que o silêncio permitiu que os gestos falassem. Em que te tirei um pertence ao mesmo tempo que te roubava um sorriso, sei que na altura não dei o valor suficiente. Só quando tornaste a cativar a minha atenção, com um ar embeiçado e me pediste que te lembrasse e eu te iludi fingindo que depois daquela expressão que me cativou, precisaria que escrevesses o teu nome para que me lembrasse dele.
Embalei-me nessa noite e na seguinte, sorrindo para aquele pedacinho de tecido, até que vieste reclamar a tua gentileza.
Não quis admitir logo mas já andava apaixonada pela tua voz, aquela que agora tinha um corpo.
Já há muito que andavas a ser porto de abrigo ao meu coração frágil. Que sem intenção foste remendando e que depois ainda fraco preencheste pouco e pouco. Da mesma forma, com a tua voz, no teu jeito subtil de falar e me fazer sentir segura e embalada.
Soube que irias ter tudo de mim, desde o momento em que me tentaste impedir de falar contigo, a primeira madrugada de muitas.
Em que ouvi o teu timbre mudar, aquele que tem de tão doce quanto de sério. O que me rouba todos os sentidos e acorda em mim todas sensações.
E senti em ti o meu Porto Sentido, senti-me a gaiata abandonada , na capa fechada , a moer os sentimentos, pela primeira vez. E ai deste-me força para dar o passo mesmo que tu não o desses. Entregaste-me o laço, sabendo que estarias a cruzar também as nossas pontas soltas.
Trocámos sorrisos, olhares e mesmo com poucas palavras, soubeste que te queria tanto quanto tu a mim. Beijaste-me a testa e envolveste-me num abraço.
(...)
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